Para além de uma experiência de Camarote

(Arte em pastilha de Bea Machado)

  • Cenografia do Camarote Portela será uma grande homenagem a Milton Nascimento, com coral Canarinhos de Petrópolis na entrada do espaço, obras com trechos do álbum censurado “Milagre dos Peixes”, azulejaria e muitos outros

A cada ano, os camarotes estão se destacando, trazendo experiências únicas para o público. Um dos grandes diferenciais do Camarote Portela, é uma cenografia para além de suas paredes, transformando espaços que contêm histórias e provocam  emoções. Para esse ano, o local destaca o enredo, que traz em cada ala o impacto de uma música de Milton Nascimento, e onde através de metáforas e simbolismo contará ao público como os Portelenses se sentem ouvindo a música do Bituca. 

Com direção criativa de Julia Paula, arquitetura e cenografia de Bárbara Boy e Izabela Crescembine, “o espaço será totalmente imersivo, com gravação do coral infantil Canarinhos de Petrópolis logo na entrada, passando por uma grande homenagem com o “Milagre dos Peixes”, album censurado do Milton, azulejaria e muitos outros detalhes pensados para ser muito além de um camarote plotado, como vemos sempre. Queremos que nosso público sinta na Avenida todo enredo da Portela e dentro do Camarote também”, afirma Julia, que cuida de toda concepção e ideias da experiência. 

ALGUNS DESTAQUES DO ESPAÇO:

Canarinhos de Petrópolis

Coral infantil ecoa as músicas de Milton Nascimento na entrada do Camarote da Portela

O coral Canarinhos de Petrópolis e Milton Nascimento já tiveram um encontro, onde será retomado no Camarote Portela. O público quando entrar no espaço já vai entender que terá uma experiência 360, se emocionando com o som e entendendo o que o ambiente quer contar sobre o enredo. “Além da questão sonora, trazemos também a olfativa, com um cheiro especial que vai intensificar essa atmosfera do que a gente quer trazer. Tudo isso é para que o cliente mergulhe numa experiência única que o Camarote tem um compromisso de entregar. A gente fala muito que a cenografia é para além das paredes, é uma imersão de fato ao enredo”.

“Esse espaço de entrada, a gente trata muito o coração do que vai ser contado na Sapucaí, porque a Avenida terá uma grande marcha ao encontro do Milton Nascimento. E esse início que a gente tem o coral, que é muito impactante, muito emocionante, a gente traz exatamente essa junção das pessoas à marcha, ao encontro de Milton. Então, simbolicamente, o coral e toda a entrada do Camarote com os oratórios, com as imagens, trazendo todo o sincretismo que o Milton toca, é justamente essa junção das pessoas para essa procissão ao encontro dele”.

O coral Canarinho de Petrópolis cantou as faixas Ponta de Areia, Cio da Terra, e Canção da América.

Yhuri Cruz

Milagre dos Peixes, álbum censurado de Milton, vira tema de obra do artista Yhuri Cruz no Camarote Portela

O artista plástico Yhuri Cruz foi escolhido por ter uma performance de muitas camadas. “A gente chamou o Yhuri porque queremos essa quebra cenográfica. Temos uma constante no camarote de cores, de apresentação dos espaços. O Camarote tem uma plotagem inteira padronizada nos tons de azul. Quando chega na parede do artista, vira preto e branco. Num camarote que vem forte com as cores da Portela, tem esse ato, que é justamente para tratar do que foi essa obra do Milton na ditadura e como é que a gente expressa isso no meio de toda continuidade do espaço. Foi audacioso demais. A gente precisa, de fato, desse silêncio, dessa parede, dessa pausa de cores”, diz Julia.

A parede terá duas camadas: uma de impressão em tecido, que traz algumas letras escritas do Milagre dos Peixes. Em cima,Yhuri fez uma intervenção digital, que será aplicada em lona acrílica, que são todos os escritos vetados, proibidos. Além disso, o artista traz a arte gráfica que parece uma boca de tubarão, que vem, inclusive, do disco.

(Milagre dos Peixes, album censurado de Milton, vira tema de Obra do artista Yhuri Cruz)

Ana Clara

Artista gráfica traz a delicadeza da azulejaria para dentro da experiência do Camarote Portela

Um dos pontos mais “esquecidos” em cenografias de eventos e camarotes, são os banheiros. No Camarote Portela ele é uma obra de arte à parte. Assinado pela artista gráfica Ana Clara, que é tatuadora e descendente portuguesa, a história da Portela vem contada no azulejo. 

“Primeiramente, pensamos em contar essa história manual, com pinturas. Mas, por questão de tempo, tivemos que fazer de forma digital, imprimindo nos azulejos. Mas, para além dos azulejos, a Ana conseguiu alcançar três pontos que queremos contar nessa história: que é Milton Nascimento, Portela e um toque de subúrbio. Com muita delicadeza, ela alcança todos esses pontos, através da pintura, com ferros retorcidos, trazendo tudo isso para o mesmo ambiente, conectando nosso público de uma forma muito harmoniosa”.

(A artista gráfica Ana Clara leva a delicadeza da azulejaria para dentro da experiência do Camarote Portela)

Elpídio Barreto Lisboa (Maradona)

O icônico trem, símbolo mineiro, ganha espaço no Camarote pelas mãos do artista plástico Maradona, conhecido pelo reaproveitamento de materiais de descarte

Todos os artistas selecionados para o Camarote tem alguma ligação com a Portela ou com o Samba Enredo. O Maradona é um que tem uma história muito forte com Milton. “O Maradona tinha um irmão no qual ele deixou de falar por uma briga pessoal e esse irmão faleceu. Ele gostava muito do Milton. Tinha uma filha, inclusive. O Maradona, no enterro dele, saiu correndo para comprar uma caneta permanente porque queria escrever no caixão: “Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar”, clássico trecho da Canção da América, de Milton. Depois de muitos anos, ele encontrou a filha desse irmão, sua sobrinha, e eles viram que tinham a mesma tatuagem, a capa do álbum do Milton Nascimento, que é o trem. Isso foi uma coincidência, não foi combinado. Os dois tinham a mesma tatuagem. E aí o Maradona desenvolveu um trem com mais de dois metros de comprimento com materiais reciclados, trazendo o ressignificar, reescrever. Esse trem tem um peso não só para o Camarote, por ser azul, que está na letra do enredo e tudo mais, mas é um trem com muito significado por contar a história do Maradona com o irmão. E nós estamos levando o trem pra dentro do camarote”. 

O Camarote receberá o trem físico de 220m em cima do trilho, feito por Maradona de peças recicláveis de motor de carro e computador.

Márcio Cintra

Artista mineiro conta um pouco mais sobre a tradicional festa do Congado

Reconhecido artista mineiro, Márcio Cintra, fotografa e pinta cenas do Congado. Todas as pinturas dele são pessoas reais do Congado, que é uma festa folclórica típica de Minas, que tem um cunho histórico muito forte, que abraça a Nossa Senhora do Rosário, que tem a ver com o Rei do Congo. O artista fotografa essas cenas e depois desenvolve pinturas a óleo dos integrantes dessa festa.

“Esse é um espaço em que a gente traz mais cor, muitas fitas e muitos acessórios que o próprio Congado usa. A gente está na tentativa de trazer alguns objetos originais, mas de qualquer forma estamos desenvolvendo todos os artigos para compor esse espaço junto com as obras dele”, completa Julia.

(Congado por Márcio Cintra)

Bea Machado

Artista levará elementos da arquitetura suburbana carioca, como os caquinhos e pastilhas, fazendo moldura para as grandes personalidades da Portela e Milton Nascimento

Bea Machado tem uma história muito forte com o subúrbio. Ela foi a artista que pintou os baluartes que vão passar na avenida da Portela. “Ela já fez nove pinturas exclusivas para a Portela, que a Escola abriu para a gente dar esse spoiler no Camarote, onde as imagens estarão expostas no buffet do segundo pavimento. Ela é uma artista que explora a pintura em caquinhos, que é algo bem do subúrbio. Pintou o rosto do Milton que vai para a avenida e também estampa o Camarote”.

(Arte em pastilha de Bea Machado)

MAIS SOBRE O CAMAROTE PORTELA:

O Camarote Portela é um dos espaços mais concorridos da Sapucaí. Seu ingresso dá direito a uma das melhores localizações, além de serviços de open bar e buffet liberados do início ao fim do evento; e shows de grandes nomes do samba realizados nos intervalos dos desfiles. Também está incluso transporte de ida e volta, saindo do meeting point localizado no Hotel JW Marriott Copacabana, onde também é possível retirar seu ingresso e customizar seu abadá. Com curadoria musical Mango, os ingressos estão disponíveis.

 A programação conta com Criolo na “Sexta-Abre Alas”, junto a Samba da Volta, Bateria da Portela, os DJs Tropicals e Mango DJ Set. No sábado, o palco receberá a diva da MPB Roberta Sá, a Velha Guarda da Portela, a Bateria da Portela e DJ residente. Domingo é dia de Mariene de Castro, Cacique de Ramos e mais. Jorge Aragão sobe ao palco na segunda-feira, dia 03; e na terça-feira de Carnaval, Teresa Cristina leva todo seu carisma, mesmo dia em que a Portela desfila na Avenida. Já o cantor e compositor Diogo Nogueira vai encerrar as no Sábado das Campeãs, 08 de março. O artista se une ao Elenco Show da Portela para fechar com chave de ouro o maior espetáculo da terra.

 SERVIÇO:

Camarote Portela

28/02 – Sexta-feira: Criolo, Samba da Volta, Bateria da Portela, Tropicals, Mango DJ Set

01/03 – Sábado: Roberta Sá, Velha Guarda, Bateria da Portela

02/03 – Domingo: Mariene de Castro, Cacique de Ramos, Bateria da Portela

03/03 – Segunda-feira: Jorge Aragão, Bateria da Portela

04/03 – Terça-feira: Teresa Cristina, Bateria da Portela

08/03 – Sábado das Campeãs: Diogo Nogueira, Bateria da Portela

Informações e ingressos aqui!

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