Antes banda de um hit só, Bastille se reinventa em novo disco

Antes mesmo do lançamento de seu álbum de estreia, em 2013, os britânicos do Bastille já tinham um hit nas paradas de sucesso: Pompeii. A faixa, que tem uma pegada épica potencializada por um coro de vozes, é diferente de todas as outras canções do grupo. O Bastille conseguiu se desvencilhar da fama de “banda de um hit só” ao emplacar alguns anos depois, Happier, feito em parceria com o DJ Mashmello. Com uma pegada eletrônica, a faixa também não tinha nada a ver com as músicas que eles, de fato, produziam. 

Agora, prestes a lançarem seu quarto álbum de estúdio, os britânicos mantêm a tradição de inovar a cada música. O álbum, que ainda não tem nome, já ganhou dois singles What You Gonna Do e Survivin. Ambos sem um estilo facilmente classificável. “É mais importante para mim pensar o que eu posso fazer diferente do que eu já fiz antes”, disse o vocalista Dan Smith, 34, em entrevista por vídeo a VEJA. 

O cantor falou também da participação especial de Graham Coxon, do Blur, em What You Gonna Do. “Eu amo o Oasis também, mas Blur é muito melhor”, disse. Confira a seguir os principais trechos da entrevista. 

A nova música Survivin foi composta antes da pandemia, mas traz uma letra esperançosa que diz “eu vou ficar bem”. Foi uma profecia? É uma baita coincidência. É louco, não é? Terminamos a música pouco antes da pandemia atingir o Reino Unido e quando o lockdown começou, a música também chegou às rádios. Mas não queria que as pessoas sentissem que estávamos querendo tirar vantagem da situação. É sobre o fato de que um dia estamos bem e no outro não. Acho que a letra pode ser útil para o que temos vivido neste ano. Sonoramente, ela também é diferente das outras canções do Bastille. Embora a letra possa parecer sombria, na verdade ela é otimista. 

Survivin e What You Gonna Do são duas faixas mais pesadas do Bastille. A banda está entrando em uma nova fase? Nós já lançamos três álbuns e o processo criativo nunca envolveu muitas pessoas. Para este novo, decidimos pedir novas colaborações. É uma maneira interessante de começar uma nova fase na banda. Para nós, é importante que cada música pareça um mundo ligeiramente diferente. Nossa meta é que a cada nova faixa, o ouvinte não saiba qual banda está tocando, até ouvir a minha voz. 

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Esse foi um dos motivos para vocês convidarem Graham Coxon, do Blur, para participar de What Gonna Do? Ele é um músico incrível. Sempre fui fã. Então, mandamos a música para ver o que ele achava e ele topou tocar guitarra nela. Ficamos ansiosos porque enviar algo para alguém que você realmente admira pode causar um estresse. E se ele odiasse a música? Ainda bem que foi o contrário. A colaboração, no entanto, foi muito “ano 2020”, feita a distância. Teria sido melhor se tivéssemos conseguido entrar no estúdio com ele. 

Então, daquela velha rixa Oasis versus Blur, quem é melhor? Blur! Blur! Blur! Eu acho que o Blur é mais experimental, mais criativo e divertido. Em toda a sua carreira, eles inovaram tocando diferentes estilos musicais. E eu amo isso. Eu gosto também do trabalho do Graham fora do Blur. Eu acho Damon Albarn um gênio. Gorillaz é inacreditável. The Good, the Bad & the Queen é incrível. Eles nunca fizeram só uma coisa. É o que eu tento fazer com o Bastille também. Eu amo o Oasis também, mas Blur é muito melhor. 

A banda amadureceu muito depois do lançamento de Pompeii? Muitas coisas mudaram em sete anos e nós, definitivamente, evoluímos. Mas, você sabe, fazer música é meu trabalho diário. Provavelmente, eu amadureci como pessoa. Quando vamos fazer um novo trabalho, é mais importante para mim pensar o que eu posso fazer diferente agora do que eu já fiz antes. Como surpreender as pessoas? Nunca quisemos ser repetitivos e essa é a principal coisa com a qual estou obcecado no momento. 

O que pode adiantar do novo álbum? Não estamos presos ao velho formato de álbum. Por enquanto estamos só lançando os singles. Com a quarentena, o processo de lançamento está bem diferente. Tem sido bastante útil ter alguma coisa em que trabalhar durante o confinamento. Mas as informações sobre o novo disco ainda vão ficar em segredo. Queremos que seja tudo uma surpresa para os fãs.

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