Pelo menos cinco pessoas morreram e outras nove ficaram feridas na explosão de um prédio em um conjunto habitacional em Fazenda Botafogo, no Subúrbio do Rio, na madrugada desta terça-feira (5). Ao todo, 14 pessoas foram atingidas pela explosão. Inicialmente, os bombeiros chegaram a confirmar 19 pessoas feridas, mas posteriormente corrigiram o número para 14. O acidente aconteceu na Rua Omar Fontoura, perto da Rua Pedro Jório. De acordo com a Defesa Civil, a explosão pode ter sido provocada pelo vazamento de uma tubulação da Companhia Estadual de Gás (CEG).

Bombeiros do quartel de Irajá atuam no local, com apoio de ambulâncias dos quartéis de Campinho, Parada de Lucas, Guadalupe e Ricardo de Albuquerque. Segundo informações dos agentes, a explosão teria ocorrido no primeiro andar de um prédio do conjunto habitacional.

Segundo a Defesa Civil, apesar dos danos, o prédio não corre o risco de desabamento. “Todo o piso do primeiro pavimento acabou afundando, porque são módulos preenchidos por painéis, paredes e lajes e que, no primeiro pavimento de algumas unidades, veio a se romper e afundar. O afastamento de algumas colunas não está caracterizando, nesse momento, um risco para o prédio desabar, então essa possibilidade nós já descartamos”, afirmou Motta.

Entre as vítimas da explosão, três foram encaminhadas para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha: um morto que não teve a identificação divulgada, além de Paulo Roberto Pereira, de 35 anos, que já teve alta, e Jociara Dos Santos Nicário, de 33 anos, que segue internada com fraturas. Para o Hospital Carlos Chagas, foram levadas três vítimas — um morto e três feridos que não tiveram a identificação divulgada. Todos tinham sido liberados às 10h45.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Paulo Silva, de 71 anos, e Alzenira C. Silva, de 58 anos, sofreram escoriações pequenas e um leve traumatismo craniano e estão no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo.

Famílias desabrigadas
Apesar do desabamento ter sido descartado, os moradores deste prédio precisarão ficar fora de casa até que a Defesa Civil faça toda a avaliação estrutural e reparos necessários. Ao todo, 40 famílias estão desalojadas e ficarão em hotel custeado pela prefeitura do Rio. O prédio tem cinco andares, oito apartamentos por andar, e cerca de seis unidades tiveram seu piso afundado.

O prefeito Eduardo Paes, que esteve no local e foi vaiado pelos moradores, prometeu dar uma uma ajuda de custo de R$ 1 mil aos moradores atingidos. “A prefeitura está pedindo que as pessoas ou vão para a casa de parentes ou tem um hotel aqui próximo que a prefeitura vai pagar a hospedagem das pessoas, mas de imediato já trouxe uma empresa pra assumir a obra do prédio e vamos dar uma ajuda de custo para essas famílias no período que essa obra não estiver pronta. Tudo isso a gente vai fazer pela lentidão da companhia de gás de dar respostas. A gente não pode deixar as pessoas sofrendo, eles vão ter que pagar essa obra, vão ter que indenizar as pessoas e vão ter que responder pelos atos deles”, explicou o prefeito.

Paes disse ainda que irá pressionar os órgãos públicos para ajudar essas famílias e descreveu como “lamentável” o fato de pessoas morrerem por um vazamento de gás. “Não tem muito o que fazer, a não ser cobrar como autoridade política. A agência reguladora é uma concessão do estado. Nós vamos pressionar o estado, a agência reguladora, o ministério público pra tentar fazer alguma coisa em relação a esse absurdo. É lamentável, é um absurdo que vidas sejam perdidas por um vazamento de gás”, disse Paes.

Moradores do local dizem que há cerca de um mês a CEG esteve no local realizando uma vistoria e não identificou nenhum problema. Ainda segundo eles, moradores reclamavam do cheiro de gás com frequência.

“Eles vêm, constatam que não tem nada de anormal aí vai embora. A gente continuava sentindo o cheiro de gás e todo mundo reclamando, todo mundo reclamando. A CEG vinha usava um produto químico no encanamento normal, constatava que não tinha nada de anormal e ia embora”, afirmou José Airton, que mora no segundo andar do prédio.

Agentes da CEG já estão no local, mas as causas ainda são desconhecidas. Para a empresa, qualquer informação no momento é prematura. “A gente lamenta o que aconteceu, mas não sabe ainda o que aconteceu e qualquer informação seria imprecisa e prematura. Estamos avaliando todos os registros no local  e vamos avaliar um por um e verificar se há denúncias dos moradores (que informaram que o vazamento de gás vem sendo denunciado há um ano)”, afirmou Cristiane Delart, gerente de gestão da companhia.

Leave a comment