A pandemia do novo coronavírus transformou o consumo de entretenimento. Se os cinemas, nos últimos anos, já estavam perdendo força para as plataformas de assinatura de streaming de filmes e séries, isto se intensificou ainda mais com a pandemia, e as indicações para o Globo de Ouro, uma das principais premiações do cinema comprovaram o fato. Foram 42 nomeações a filmes e séries produzidas ou distribuídas pela Netflix, empresa criada pelo americano Reed Hastings.

Este recorde demonstra a proporção desse fenômeno. Os dois filmes mais indicados, Mank (que disputa seis prêmios) e Os 7 de Chicago (disputando cinco prêmios), e a série mais lembrada, The Crown, são todos da empresa.

Desde 2019, quando abocanhou quatro estatuetas do Oscar com produções originais, a Netflix vem investindo cada vez mais para atrair seus clientes e anunciou, no início deste ano, que deve lançar ao menos um filme novo por semana em 2021. Mas não foi só a Netflix que se beneficiou da quarentena forçada. O serviço de entretenimento sob demanda Hulu, com dez indicações, a Amazon Studios, também com dez, a HBO, com sete, a Apple TV+, com duas, e a Disney+, com uma nomeação, também despontaram no Globo de Ouro. Todas estas são empresas entregam o serviço de streaming por assinatura em suas plataformas.

Com a bilheteria do cinema tradicional em declínio acentuado devido à disseminação do vírus, obtendo perdas de até 90%, as plataformas de streaming surgem como a nova opção do momento, pois possibilitam o entretenimento em casa, diretamente na sua TV,  computador e até num simples smartphone com acesso a internet. No mundo, segundo dados da Comscore, a queda na bilheteria dos cinemas foi de 72% em 2020, recuando de 42,5 bilhões de dólares em 2019 para em torno de 12 bilhões de dólares.

Com muito mais pessoas consumindo conteúdo em casa, a Netflix alcançou em 2020 um faturamento de 24,9 bilhões de dólares, crescendo 24% em relação a 2019. O seu lucro líquido cresceu 25,9% na mesma base de comparação, para 9,72 bilhões de dólares. As indicações conquistadas no Globo de Ouro e as que ainda certamente virão no Oscar servirão para que a empresa possa atrair uma nova gama de consumidores, aumentando ainda mais a sua receita. A julgar pelo recrudescimento da Covid-19 no mundo, parece que o cinema tende a acontecer cada vez mais em casa.