aquele que não consegue ver o invisível, tocar o inatingível, ouvir o inaudível, jamais conseguirá experimentar o impossível”.

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As próximas eleições, como sempre, vão pegar fogo. A ausência de uma educação política nas bases fundamentais de ensino não consegue formar eleitores nem candidatos comprometidos com a democracia e construção de uma sociedade menos injusta, mesmo diante de um Brasil tão grande, repleto de tantos recursos. O resultado é a não qualificação do voto. Perde o país, perdemos todos. Os poucos “compromissos” vão para o ralo e muitas traições serão praticadas, como sempre. Muitos pré-candidatos “saindo de espetos e caindo na brasa”. Não está fácil pra ninguém, principalmente para quem tenha nacionalismo, patriotismo, ficha limpa e não busque aumento de patrimônio à custa dos contribuintes. Um momento que deveria ser de renovação de esperança, se revela repetição de velhos erros, conchavos e reiterados vícios. Esse é o jogo baixo do poder, sem ética, sem elegância, sem pudor, numa república presidencialista decadente e promíscua. Espalhados em 5.564 municípios muitos pré-candidatos ensaiam “costuras” e serão vítimas de “armadilhas” ou estarão armando as suas. Não será diferente no município de Vila Velha, na região metropolitana de Vitória, estado do Espírito Santo. Por hoje, vamos analisar três pontos: eleições em Vitória, Vila Velha e suas implicações para 2018, quando teremos eleições para governadores nas vinte e sete unidades da federação. Podem “copiar” e “colar”, na sua região, na sua cidade, certamente não será muito diferente.

Diante de visível desgaste e rejeição do Partido dos Trabalhadores (PT), que detém o Governo Federal e sua incapacidade de gestão provocando crise institucional,  volta da inflação, desemprego, dificuldades econômicas, caos, com desespero da população e, por circunstâncias óbvias, desgaste também para o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que participa da base aliada e tem o vice-presidente da República e, ainda, para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com seus milhões de votos na eleição presidencial pretérita, cujos passos trôpegos revelam uma falta de coesão de quem se espera apontar caminhos e soluções, qualquer que seja o cenário, operam-se péssimas perspectivas para o país. E pensar que atingimos a marca de 35 partidos políticos registrados na Justiça Eleitoral. A maioria à caça do Fundo Partidário, atendidos pela “presidenta” Dilma Vana Rousseff que  manteve a triplicação do valor, conforme alteração aprovada pelo Congresso Nacional no Orçamento da União, que passou de R$ 289,6 milhões (dotação inicial prevista no projeto) para R$ 867,6 milhões.

Vitória

A situação do prefeito Luciano Rezende (PPS), da capital Vitória, que pretende reeleição é desconfortável, apesar de esforço hercúleo, sua marca registrada. A bem da verdade, chegou onde está pela sua obstinação e “faro” político. Vereador em Vitória de 1995 a 2008. Em 2008, disputou com o prefeito João Coser a prefeitura de Vitória. Conseguiu 32% dos votos, mas acabou derrotado em primeiro turno. Eleito deputado estadual, em 2010, com números acompanhados no “bico do lápis”, teve como padrinho o governador Paulo Hartung, conquistando pouco mais de 20 mil votos. Em seguida, numa atitude arriscada e legítima, “agora é a minha vez”, irrompeu-se contra orientação desse mesmo aliado, padrinho e quase um criador. Com a bandeira do “Muda Vitória” foi eleito de modo ousado para prefeito, com 52,73%, enquanto seu oponente Luiz Paulo (PSDB) teve 47,27% dos votos válidos. Ocorre que, nesse interregno, pela falta de coincidência no calendário eleitoral, veio à eleição para o governo do Estado. Estava de cara com o antigo aliado. Numa opção política arriscada, para quem conhece o jogo eleitoral capixaba, acompanhou o projeto de reeleição do governador Renato Casagrande (PSB), sendo que por circunstâncias óbvias a neutralidade era impossível. Com a vitória de Paulo Hartung, ficaram “feridas” do processo eleitoral, que dentro de um sistema político “esgotado”, demora a cicatrizar, quando não arrefece e provoca sinais de irreconciliação. Quanto ao ex-prefeito Luiz Paulo os levantamentos apontam que estaria liderando pesquisa preliminar. Aqui, não existe, por enquanto, nada diferente da eleição anterior, sendo patente sua competência como gestor, inclusive da cidade de Vitória nos anos de 1998 a 2005. Os números, inicialmente, refletem quase o mesmo da eleição anterior a prefeito da capital. Dois pontos importantes na principal vitrine política do Estado: a arrogância não pode chegar primeiro ao eleitor e a cadeira do principal do palácio municipal continua precisando de quem acorde cedo e trabalhe muito, o tempo não para e a cidade merece, pois “o ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente”, como diz a frase do Mestre Oogway no Filme Kung Fu Panda.

Vila Velha

A última pesquisa de opinião pública em Vila Velha feita pelo Instituto Futura verificou o seguinte: o deputado federal Max Filho (PSDB) com 25,8% e o deputado estadual Amaro Neto (PPS) com 25,3%. O resultado demonstra que Max Filho tem positiva lembrança de gestão. Foi eleito e reeleito prefeito, além de ser da terra, autêntico canela-verde. Amaro Neto, novato, dentro de uma “teia de aranha negra” buscou abrigo em outra legenda o Partido da Mulher Brasileira (PMB) alegando dificuldades dentro do PPS. Imagina que a avalanche de votos conquistados o credencia a prefeito da capital Vitória, o que estaria colidindo com as legítimas pretensões de reeleição do prefeito Luciano Rezende. Nesse caso, lançou pragas à direção do partido anterior, deixando Vila Velha livre para Max Filho, que “segue a galopes na ponta”. Max Filho, no exercício tranquilo de mandato de deputado federal, de comportamento político reconhecidamente escorreito, por outro lado, percebe que pode mais, que sua musculatura em 2018 pode credenciá-lo ao palácio Anchieta, sede do governo do Estado. E a leitura é acompanhada por levantamentos feitos, não obstante ainda não divulgadas. O diabo é que do outro lado da Baía do Espírito Santo, que chamam de Vitória, o palácio Anchieta tem um hóspede que a família Max “conhece bem” e que, a priori, demonstra seguir com um aliado, o prefeito Rodney Miranda (DEM) que tentará a reeleição, com a pesquisa Futura, apontando avaliação negativa por 56,5% da população. Uma tarefa difícil, mas não impossível.

Como “gato escaldado tem medo de água fria”, Max Filho, fortalece sua presença dentro do PSDB e pelo Estado. No tabuleiro de pré-candidaturas um movimento hipotético: deputado Doutor Hércules (PMDB) sai de seu partido e entra no PSDB, como pré-candidato, o que pode animar o político e seus aliados. Ele, acenaria com reciprocidade, desistindo da candidatura, caso Max Filho decida encabeçar chapa majoritária em Vila Velha. E se fizerem uma dobradinha na composição? Se alguém falar que é verdade todos desmentem, mas os dedinhos cruzadinhos podem ser vistos de soslaio. Nas últimas pesquisas de menção espontânea, divulgadas, pela Futura o quadro era o seguinte: Max Filho 9,3%. Neucimar Fraga, 8%, Amaro Neto 4,8%, Rodney Miranda 2,5% e deputado estadual Hércules da Silveira 2, 3%. Mesmo diante de números para Hércules, preliminarmente, o apoio de Max Filho, caso não se apresente candidato, é fundamental. O palácio Anchieta se incomoda e vai à loucura. Numa outra praça, outro jogo tem movimento súbito: o senador Ricardo Ferraço (PMDB) sai do partido. Cogita-se que será recebido com tapete vermelho no PSDB. Uma estrela de primeira grandeza. Aspirante ao palácio Anchieta, desde sempre. E olha que o vice-governador do Estado, César Colnago, também é do PSDB, sendo, também, candidato em potencial à sucessão do governador Paulo Hartung, que declarou não pensar em reeleição, o que pode ser verdadeiro ou não. O que isso significa? Na política como na vida “aquele que não consegue ver o invisível, tocar o inatingível, ouvir o inaudível, jamais conseguirá experimentar o impossível”.

Gilberto Clementino dos Santos
Análise política

Crédito imagem: internet – A Gazeta online

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